terça-feira, 15 de novembro de 2011

CONTERRÂNEOS VELHOS DE GUERRA



O anti-épico da construção de Brasília

Carlos Alberto de Mattos*

“Eu saí da Paraíba, mas a Paraíba não saiu de mim”, costuma dizer Vladimir Carvalho. Foi isso mesmo o que aconteceu quando, depois de ajudar a criar o famoso ciclo do documentário paraibano nos anos 1960, Vladimir mudou-se para Brasília. Levou junto a Paraíba, na forma de um interesse constante pela saga dos candangos, operários imigrantes – em sua maior parte nordestinos – que transformaram os riscos de Niemeyer e Lúcio Costa em realidade concreta.

Incansavelmente durante 18 anos, o cineasta filmou a vida daquela gente que foi sendo empurrada para as cidades-satélite. Ao mesmo tempo, recolheu materiais e testemunhos sobre o lado menos épico da edificação de Brasília. Conterrâneos Velhos de Guerra, lançado em 1990, seria a reunião, depuração e articulação de toda essa coleta.

No coração do filme pulsa uma denúncia até então esquecida nas dobras da história oficial: relatos de maus-tratos, condições de trabalho precárias e muitos acidentes fatais encobertos para não manchar o romantismo da empreitada. E o mais grave: uma sublevação de operários no carnaval de 1959 havia terminado com um massacre executado pela Guarda Especial de Brasília.

A memória (e o esquecimento) desse episódio é tematizada na busca incisiva de “provas”. O diretor leva testemunhas até os locais dos fatos, obtém reiterações em depoimentos distintos, exibe recortes de jornais. O material de arquivo assume a função explícita de “documentos”, ou “comprovantes” das informações veiculadas. Por sua vez, na célebre entrevista em que Oscar Niemeyer indispõe-se com Vladimir e manda interromper a filmagem, o drama contido na investigação histórica se revela de maneira inequívoca diante da câmera.

O filme é polifônico e dialético. Seqüências inteiras se organizam a partir da ressignificação de cenas de arquivo segundo um determinado raciocínio proposto pelo diretor a partir de sua crítica das diferenças de classe. Com freqüência, essas cenas nos chegam subordinadas ao discurso dos peões e, portanto, esvaziadas do sentido oficial que possuíam originalmente. As primeiras imagens da inauguração da cidade, por exemplo, surgem em seguida à entrevista com o primeiro padeiro de Brasília, que não viu a festa porque estava trabalhando (e, além do mais, viria a ficar cego após um acidente). A solenidade aparece como que para restabelecer o que fora negado ao trabalhador.

Assim, Conterrâneos assume também os papéis de crônica do destino dos ex-candangos e meditação sobre o sentimento de exílio. Evocando o estilo da prosódia nordestina, o filme abre espaço tanto para entrevistas e depoimentos, como para poesia, cantoria e contação de “causos”.

Como em toda a obra de Vladimir Carvalho, aqui também o combustível é o afeto do realizador pelos seus personagens.

*Crítico e pesquisador de cinema, autor de livros sobre Walter Lima Jr., Eduardo Coutinho, Carla Camurati, Jorge Bodanzky e Maurice Capovilla. Crítico de O Globo, do site criticos.com.br e autor do DocBlog / Globo Online.

VÍDEOS BRASÍLIA

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Brasília: Projeto Capital
VÍDEO 1

“Brasília: projeto capital” faz um passeio no tempo para contar a história do nascimento de uma cidade. Da festa da inauguração, em noite iluminada por canhões de luz, até a primeira sessão da Câmara em Brasília no dia 21 de abril de 1960. Dois momentos marcantes, próximos no tempo e que completam 50 anos.
Não é por acaso. Brasília é resultado de muita discussão na Câmara dos Deputados. Desde a primeira constituinte, ainda no Brasil Império, até a constituição de 46, a proposta de interiorizar a capital do Brasil esteve
presente. José Bonifácio, o patriarca da independência, pensou até em nomes para a nova capital! Isso em 1823.
Muitos
são os personagens que ajudaram na “construção” de Brasília. Os primeiros idealizadores, os responsáveis pelas primeiras expedições, como Varnhagen. Diversos presidentes, deputados e muita discussão ao longo da história. Até chegar o dia em que Juscelino Kubitschek resolve fazer da transferência da capital para o planalto central - a meta-síntese de seu governo. Mas por que JK resolve tirar a ideia do papel? Quem conta é o imortal Murilo Melo Filho, na época jornalista da Revista Manchete.
Deputados, jornalistas, servidores e artistas que viveram no Rio de
Janeiro na época da transferência da capital para Brasília são os personagens dessa história. Os pioneiros também relatam a impressão da chegada em Brasília no início da construção. Poeira, lama, muito trabalho! Enquanto a cidade era construída, duras críticas eram publicadas nos grandes jornais da época. Muitos acreditavam que a obra ficaria inacabada.
A Câmara dos Deputados criou duas comissões para garantir o sucesso da mudança. Uma, para acompanhar as obras de construção da Câmara; a outra, para planejar e executar a transferência dos deputados e servidores. Havia muita resistência à mudança. Deputados e servidores eram convidados a visitar Brasília para ver onde iriam morar e trabalhar.
No plenário do Palácio Tiradentes, onde funcionava a Câmara dos Deputados no Rio de Janeiro, as discussões ficavam mais acaloradas à medida que se aproximava a data da inauguração de Brasília. Todo esse contexto político é retratado pelo documentário Brasília: projeto capital. As críticas do deputado udenista, Carlos Lacerda, as ameaças de CPI para investigar a Novacap e as leis aprovadas na Câmara para garantir a mudança da capital. Entre elas, a que marcava a data da inauguração da nova capital: 21 de abril de 1960.
A história da mudança contada pelas pessoas que participaram dela: o deputado Carlos Murilo, sobrinho de JK; o deputado Nestor Jost, segundo vice- presidente à época; os jornalistas Villas Boas Corrêa, Carlos Chagas; os servidores Sylvio Vianna, Luciano Brandão, Léa Fonseca, Ada Coaracy, Joel Teixeira; Roberto Menescal, Nelson Pereira dos Santos; e os pioneiros Genésio de Oliveira e Kleber Farias.

Ficha técnica
Direção e Roteiro: Frederico Schmidt
Pesquisa: André Bergamo
Edição e Finalização: Rubens Duarte
Direção de Arte: Márcia Roth
Videografismo: Tiago Keise
Narração: Cláudia Brasil
Produção: Pedro Henrique Sassi e Pedro Caetano Braga Santos
Imagens: André Benigno, Cláudio Adriano da Silva e Múcio Montandon
Fotógrafos: Elton Bomfim e Luiz Alves
Trilha Sonora Original: Estúdio Audiotech - DF
Direção do Núcleo de Documentários: Dulcídio Siqueira Neto
Duração: 41 minutos

Brasília 50 anos - Eixos - Projeto de Lucio Costa
VÍDEO 2

Lucio Costa não pretendia concorrer. Apenas desvencilhar-se de uma solução que nasceu pronta. O projeto do Plano Piloto, animado e com explicações originais do próprio autor, é o tema desse interprograma feito em homenagem a Lucio Costa. O arquiteto que inventou Brasília.

Brasília 50 anos – Escalas do Plano Piloto 1 - Residencial
VÍDEO 3

Escala Residencial - Eixos arqueados, superquadras, pilotis, edifícios com gabaritos uniformes de seis andares, áreas verdes comuns a todos os moradores. Conheça nesse interprograma o projeto de Lucio Costa para os habitantes do Plano Piloto.

Brasília 50 anos - Escalas do Plano Piloto 2 - Gregária
VÍDEO 4

Escala Gregária - Brasília tem setores reservados para hotéis, bancos, comércio e diversão. Espaços organizados para a multidão e propícios ao encontro. A plataforma rodoviária é o ponto de convergência desses setores. Para entender é só assistir a esse interprograma.

Brasília 50 anos - Escalas do Plano Piloto 3 - Monumental
VÍDEO 5

Escala Monumental - No eixo retilínio do plano piloto estão os principais monumetos de Brasília. Lúcio Costa desejava uma cidade monumental mas sem ostentação. Essa missão coube a Niemeyer. Veja, nesse interprograma, como pensou e como ficou o projeto de Lucio Costa.

Brasília 50 anos – Escalas do Plano Piloto 4 - Bucólica
VÍDEO 6

Escala Bucólica - Uma cidade sem muralhas. Áreas livres, arborizadas. Gramados concebidos como tapetes. O verde dá ritmo e harmonia ao Plano Piloto. Nesse interprograma é possivel conhecer o projeto de Lucio Costa para uma Brasília bucólica.


FONTE DOS VÍDEOS: TV CÂMARA